Entrevista – Dr. Luís Miguel Lourenço

1- O que o levou a escolher esta profissão?

Durante muitos anos passei boa parte das minhas férias de Verão na Farmácia a acompanhar os meus Avós que, pacientemente, me ensinaram bastante sobre o dia a dia de um Farmacêutico e das responsabilidades de gerir uma farmácia. Paralelamente a estas experiências, sempre gostei muito de química e de ajudar pessoas, daí que a decisão de abraçar a profissão acabou por surgir naturalmente.

2- Conte-nos uma história engraçada que lhe tenha acontecido na Farmácia.

Certo dia uma utente abordou-me na rua muito indignada pois os comprimidos que lhe tinha dispensado tinham um sabor muito estranho e que variava todos os dias. Fiquei muito preocupado pois tinha chegado à Farmácia há pouco tempo e não sabia o que podia ter acontecido. Pedi para trazer a embalagem que tinha em casa e solicitei ao laboratório farmacêutico uma análise dos comprimidos do lote em questão.
A utente ausentou-se durante umas semanas para gozar férias e, durante esse período, recebi o resultado da análise. Estava tudo conforme os padrões de qualidade. Quando a utente voltou de férias, numa visita à Farmácia, informei-a do resultado mas continuava a queixar-se do mesmo problema, embora durante as férias o sabor tivesse melhorado.
Um elemento da equipa mais experiente ouviu a conversa, olhou para mim e sorriu mas, como estava a realizar uma medição da pressão arterial, não conseguiu vir ter comigo. Perguntei à utente como é que tomava os comprimidos.
– “À refeição, como está na etiqueta que a Farmácia colou na embalagem”, respondeu-me.
Fiquei desconfiado e perguntei: -“Toma durante ou no fim da refeição?”
-“Depende. Se comer carne, como durante a refeição pois vai com o prato para o micro-ondas. Se for peixe, prefiro comer com a sopa, que até ajuda a dissolver melhor”.
Ficámos logo a saber que durante as férias a nossa utente comeu muitas vezes sopa. E eu aprendi a consultar quem tem mais experiência quando surgem fenómenos estranhos com medicamentos.

3- Se pudesse ajudar qualquer pessoa do mundo quem seria? E porquê?

Preocupam-me bastante os doentes com diabetes, hipertensão ou outra doença crónica. Todos os dias vemos que poderiam ter ainda melhor qualidade de vida se o sistema de saúde funcionasse de um modo mais articulado.
Tenho a felicidade de contactar com várias realidades profissionais de diversos países do mundo e custa-me saber que poderíamos estar a fazer mais e melhor em Portugal, se todos os intervenientes do sistema funcionassem harmoniosamente.
Se pudesse, ajudaria todos os doentes crónicos a gerir melhor a sua doença para viverem mais anos com mais saúde.

4- Se não fosse farmacêutico o que gostaria de ser?

Nunca pensei em abraçar outra profissão que não a de Farmacêutico mas ver-me-ia a desempenhar funções em áreas não convencionais da profissão, como gestão de medicamentos em cenários de catástrofe ou mesmo de conflitos. Não só por poder utilizar as minhas capacidades técnicas e de gestão, mas porque o fim último é igualmente ajudar quem precisa.

5- Defina a Farmácia Central do Cacém numa frase.

Um projeto com passado, presente e futuro!